
Quem nunca chorou ao se relembrar do passado?

Tudo simplesmente melhora quando estamos perto de certas pessoas. (SDUNI)

Faz onze anos, quem diria tudo isso. Onze anos que minha casa foi infestada de corujas com cartas no bico e nessas cartas um selo vermelho com desenhos (é eu me lembro bem) de um texugo, um grifo, uma cobra e uma águia. Aquele dia foi encantador, cartas voando por todo canto, entrando pelas janelas, pela lareira e explodindo a entrada do correio na porta. Faz onze anos que me levaram para uma pequena ilha, com uma casa esquisita e comprida em meio a uma tempestade, tudo isso por medo que eu descobrisse meu futuro, minha historia o que eu realmente era. Eu lembro naquele dia um gigante com um guarda chuva cor-de-rosa entrou pela porta é bem entrou é um termo errado naquele dia um gigante derrubou a porta da casa. Trazia com ele um bolo meu primeiro bolo de aniversario e a noticia de que eu era bruxo, assim como meus pais. Ele deixou meu primo com rabo de porco, me levou a um lugar chamado beco diagonal, canto estranho, mas lindo, completamente lindo, fomos no Gringotes e descobri a fortuna que herdara dos meus pais, comprei minha varinha é aquela com núcleo de pena de fênix, fênix essa que um dia eu viria a conhecer como o pássaro do maior bruxo que o mundo já viu aquele bruxo que morreria traído por seus próprios temores e medos. Fui deixado na plataforma 9¾, onde a entrada era escondida em uma parede. La dentro me esperava uma maria-fumaça vermelha que me levaria ao castelo escondido dos olhos dos trouxas a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, um lugar que viria a ser meu lar. Nesse trem conheci os melhores amigos que alguém poderia ter, um ruivinho comilão que era o melhor jogador de xadrez bruxo que o mundo já vira e uma bruxinha de nariz arrebitado que já veio me ensinar a fazer direito meus feitiços mal sabia eu que seria ela a salvar minha vida tantas e tantas vezes “a melhor bruxa de sua idade” todos diziam e eu concordei. Quando chegamos lá, fui selecionado para a Grifinoria a casa dos corajosos. Onze anos e nesses anos muita coisa aconteceu, salvei a pedra filosofal das mãos de um professor de defesa contra as artes das trevas gago que escondia Voldemort embaixo de um turbante torto, salvei Gina Weasley na câmara secreta e seu pai no Ministério da Magia, vi aquele que não deve ser nomeado finalmente voltar dono de seu próprio corpo provido do osso de seu pai. O vi morrer em uma cobra, um diário, um anel, um diadema, um colar, uma taça e em uma cicatriz derrotado mais e mais vezes pelo amor de Lilian. Vi um castelo se unir, se levantar e ir à luta junto contra o mais temido dos males. Perdi pessoas amadas. Conheci um lobisomem, e ele sim foi o melhor professor de dfcat que a escola já viu, um elfo domestico livre, uma loirinha que usava rabanetes nas orelhas e amava pudim e um comensal arrependido que por mais que não parecesse a primeira vista era quem mais nos protegia. Conheci um rato que era homem e morreu traído pela própria mão, conheci a família Weasley a mais linda família de cabeças de fogo, conheci o menino que sobreviveu e com ele vi todas as aventuras mais inimagináveis para um coração apaixonado por magia. Um menino que uniu o mundo, que uniu uma sociedade, que marcou uma década. Eu conheci Harry Potter e lutei junto a ele em cada uma de suas batalhas, eu vivi a era potteriana.